• Quarta-Feira, 19 de Dezembro de 2018
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PRIORIDADES

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PRIORIDADES

Mudar a forma como pensamos nossas prioridades, determina o modo como construímos o nosso futuro


Analisando algumas fotos de cidades desenvolvidas e comparando com algumas capitais brasileiras, eu percebi que o verdadeiro desenvolvimento não é estético. Antes de tudo é social, mas tanto em questão social quanto urbana eu percebo uma falha das nossas cidades: a falta de prioridades, ou a falta de organização das prioridades. Por exemplo, temos que nos preocupar mais com a qualidade do ensino básico do que com o ensino superior, uma vez que um será consequência do outro. Preocupar-se mais em aumentar salário do que em aumentar o poder de consumo. Assim também em questão de urbanismo; se eu sou o prefeito de uma cidade e tenho verba para embelezar uma via movimentada, antes, vou procurar nos bairros mais longínquos uma rua para asfaltar, caso contrário estarei tapando um buraco que não existe em detrimento de um problema real a ser resolvido. Isso são apenas alguns exemplos de como nós temos que pensar nossas prioridades. Acredito que quando pensamos assim, podemos evitar dar atenção ao supérfluo. Os melhores lugares do Brasil não ficam devendo para os melhores lugares dos países desenvolvidos; e nem as melhores instituições, ou os melhores profissionais. Mas, quando saímos daquele círculo polarizado, é que vemos a diferença. Enquanto nos países desenvolvidos o nível vai se mantendo, no Brasil vai decaindo. E isso faz muita diferença.

Algumas pessoas não gostam que se fale em desigualdade social. Mas, quando se fala em desigualdade social não se fala apenas em desigualdade de renda, mas em todo esse contraste existente. O problema do Brasil não é subir onde o nível já é alto, mas subir onde está baixo. Claro que isso não se faz gastando dinheiro do governo à toa, mas organizando prioridades e trabalhando com empenho em cima delas.

Qual é a prioridade para o combate à criminalidade? Muitos dirão, policiamento. Outros dirão, educação. E há os que dizem: emprego. Certamente que educação melhora o nível dos cidadãos, e empregabilidade diminui as criminalidade (até certo ponto). Mas, de que forma isso será aplicado? Então, entra as questões de prioridades nos investimentos e gestão da educação, no acompanhamento familiar e na geração de empregos. Entramos nesses assuntos como se fossem sub-assuntos do tema criminalidade, mas sabemos que cada um é único e amplo, e demandam de seu próprio planejamento e de suas próprias preocupações. Percebe como tudo está ligado? A sociedade é um conjunto, e seu funcionamento é em conjunto.

Quando nos preocupamos com temas de forma isolada, acabamos por ter prioridades erradas. Todo o tema a ser tratado precisa ser tratado, mas as prioridades definem onde focamos, e de que forma, a partir disso, traçamos o nosso planejamento. Se olharmos por dentro do tema “policiamento”, tema que se origina quando damos atenção à segurança, prioridades se formam para a melhoria da qualidade e da eficiência das polícias (plano de carreira, qualidade dos equipamentos, administração interna, etc.). E digo isso porque a melhoria nem sempre depende só de investimentos, mas também de uma gestão dos fatores que formam o todo (no caso, a corporação). Só um exemplo de como enxergar o conjunto, é necessário para se organizar as prioridades e planejar o trabalho em cima delas (colhendo informações, identificando as necessidades e definindo a atuação).

Ao enxergar o conjunto nós enxergamos as prioridades. Mas enxergamos as prioridades para construir o conjunto. Entendendo que o conjunto é partilhado por todos e que todos se beneficiam dele. É como as engrenagens de um relógio; umas maiores e outras menores, mas todas ligadas umas às outras, e o relógio só funciona se todas rodarem. Assim é a sociedade, seu funcionamento perfeito depende de arrumação de cada peça que a compõe.

 

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