• Terca-Feira, 21 de Agosto de 2018
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As armadilhas do crédito rotativo do cartão de crédito

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As armadilhas do crédito rotativo do cartão de crédito

Dadas as altas taxas de juros praticadas no Brasil, manter dívidas com instituições financeiras está longe de ser um bom negócio, pois as altas taxas de juros incidentes sobre elas fazem um grande estrago no orçamento familiar.

Dentre tais dívidas, o rotativo do cartão do crédito pode ser considerado uma das mais devastadoras. Nos anos 2000, esse meio de pagamento popularizou-se bastante em nosso país, inclusive entre as pessoas de baixa renda.

O cartão de crédito, se utilizado como meio de pagamento, tem suas vantagens, como permitir compras parcelas no varejo e facilitar que indivíduos e famílias organizem melhor seus gastos tendo em vista que é possível consultar online o saldo das faturas.

O grande problema é que boa parte dos detentores de cartão de crédito o utilizam como modalidade de crédito ao não pagarem o total da fatura quando do seu vencimento. A consequência é devastadora, pois as taxas de juros do crédito rotativo do cartão de crédito são as mais altas do país: 484,57% ao ano para pessoas físicas, segundo dados do Banco Central do Brasil (BACEN).

A grande questão é o porquê as pessoas acabam caindo em uma armadilha dessas. A resposta é simples: a falta de educação financeira é generalizada entre os brasileiros. Conhecedor desse fato, o BACEN tem tentado auxiliar às pessoas em seu site por meio de diversas ferramentas, como calculadora do cidadão, que dentre outras funcionalidades, que comentarei futuramente neste espaço, possui uma específica para o cartão de crédito.

Essa funcionalidade permite aos cidadãos compararem o custo de pagarem suas faturas do cartão de crédito com outras modalidades de crédito. A ferramenta é bastante prática e interessante, como pode ser observado abaixo por meio de uma simulação comparativa entre o pagamento de uma fatura do cartão de R$ 2.000,00, em 10 parcelas, e outras modalidades de crédito oferecidas pelos bancos.


Fonte: Banco Central do Brasil (2017)

Os dados ilustram bem o tamanho da armadilha a qual as pessoas que carregam dívidas no cartão de crédito estão sujeitas. A diferença entre o custo total de se pagar uma dívida de R$ 2.000,00 por meio do rotativo do cartão e o crédito pessoal é de R$ 2.358,21 (a mesma dívida!). Caso a pessoa tenha acesso ao crédito consignado, a diferença é ainda maior: R$ 2.830,26. Mesmo o cheque especial, que é uma linha de crédito das mais caras, ainda é bem mais vantajoso que rotativo do cartão, pois possui um custo inferior de R$ 1.418,71. 

Outro dado interessante é o número de parcelas de R$ 300,00 necessárias para quitar a dívida. Enquanto no rotativo do cartão o indivíduo necessitaria de 16,6 meses para liquidar seus débitos, esse prazo cairia para 11,8, 8,7 e 7,1 meses se a modalidade de crédito fosse substituída, respectivamente, pelo cheque especial (não recomendada), crédito pessoal e crédito consignado. 

Para o leitor estupefato que esta se perguntando o que causa toda essa diferença, a resposta é bem simples: a taxa de juros. Tal constatação fica nítida na última coluna da tabela, onde as taxas de juros cobradas para cada modalidade de crédito estão expostas. A taxa anual de juros do rotativo do cartão é 3,44 vezes superior a do crédito pessoal e 16,35!! vezes superior a do crédito consignado.

Tais informações estão acessíveis para todos os brasileiros no site do BACEN. As altas taxas de juros praticadas no Brasil precisam ser combativas de forma mais veemente. E uma das formas mais eficientes de combatê-las é através da divulgação e conscientização sobre os efeitos nocivos que as mesmas acarretam para as pessoas.

www.bcb.gov.br/calculadora/calculadoracidadao.asp


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