• Quarta-Feira, 19 de Dezembro de 2018
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EDUCAÇÃO FINANCEIRA E REFORMA DA PREVIDÊNCIA

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EDUCAÇÃO FINANCEIRA E REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Um dos assuntos que mais tem causado ansiedade e nervosismo na sociedade brasileira é a Reforma da Previdência. As dúvidas são muitas e vão desde a insegurança sobre a possibilidade das pessoas conseguirem se aposentar ao momento que as mesmas conseguirão a aposentadoria dadas as regras de transição para quem já se encontra no mercado de trabalho.

Por mais que haja relutância, o Brasil precisa mesmo de uma reforma nessa área. A Previdência consome sozinha 52% dos gastos não financeiros do governo federal e a população brasileira está envelhecendo muito rápido, o que irá pressionar ainda mais os gastos previdenciários.

É evidente que a proposta enviada pelo governo federal merece ajustes, principalmente no que tange aos Benefícios de Prestação Continuada (BCP), as regras de Pensão e aposentadoria Rural. Desvincular o BCP, pago justamente aos mais pobres, do valor do salário mínimo, não permitir nenhuma forma de acúmulo de pensões e aumentar a idade para a aposentadoria Rural são propostas duras demais e que vão totalmente contra os princípios de nossa constituição cidadã.  Outros pontos, como as regras de transição e idade mínima para concessão de aposentadoria idêntica para homens e mulheres, também poderão ser flexibilizadas pelo Congresso Nacional.

Atualmente, segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), os Brasileiros se aposentam com 76,4% da renda que tinham na idade ativa, um índice bastante alto (esse mesmo índice é de 44,8% nos EUA). Tomando como base o teto de R$ 5.531,31 para aposentadorias do INSS, tal percentual resulta em uma renda média de R$ 4.225,92, para as pessoas que contribuíram durante sua vida laboral com valores próximos ao teto.

Ocorre que no Brasil o valor das aposentadorias concedidas atualmente por idade (ela já existe e os mais pobres já se aposentam dessa forma!) é, em média, 47,64% menor do que o valor das aposentadorias concedidas por tempo de contribuição. Como o ponto principal da reforma é justamente acabar com as aposentadorias por tempo de contribuição, restando apenas a aposentadoria por idade, a tendência é que o referido percentual de reposição de 76,4% caia com a aprovação da reforma.  

Se esse percentual cair para 50%, o que é bem provável, os brasileiros, que contribuem para a previdência pelo teto atual, de R$ 5.531,31, irão se aposentar, em média, com valores próximos de R$ 2.765,65. Ou seja, a Previdência Social tende a se aproximar cada vez mais de um seguro cujo objetivo é manter um mínimo de dignidade para as pessoas que não conseguiram formar uma poupança durante o período em que estiveram no mercado de trabalho.

Mas há alternativa para as pessoas que queiram manter um nível de renda maior depois de deixarem o mercado de trabalho? A resposta é sim. Mas qual? Contribuir para fundos de previdência privada. 

A tabela abaixo reproduz qual deve ser o valor mensal depositado, em um plano de Previdência Privada, para uma renda vitalícia de R$ 1.000,00 levando-se em consideração a idade em que o indivíduo irá começar a contribuir, a idade em que pretende se aposentar, o número de anos que irá viver após se aposentar e a taxa de juros incidente sobre os valores depositados mensalmente.



Uma pessoa que comece a contribuir para um plano de Previdência Privada aos 20 anos, planeje se aposentar aos 60 anos e tenha uma sobrevida de 20 anos (idade final de retirada aos 80 anos) necessita contribuir com R$ 103,00 por mês, caso a taxa de juros incidente sobre os valores depositados seja de 5% ao ano. Caso esse mesma taxa seja de 6%, o depósito mensal cairia para R$ 74,00.

É bom frisar que os R$ 1.000,00 em questão estão expressos em valores reais, ou seja, a ideia é ter uma renda na aposentadoria equivalente ao poder de compra dos atuais R$ 1.000,00. Isso implica que os depósitos devem ser corrigidos pela inflação do decorrer período de forma a preservar o poder de compra da moeda. Taxas juros reais de 5% a 6% ao ano são comuns na economia brasileira e não há nada que indique que isso mudará radicalmente.

 Por fim, caso o objetivo seja obter uma renda maior que R$ 1.000,00, basta multiplicar o valor do depósito expresso pelo múltiplo desejado. Se renda desejada for, por exemplo, de R$ 3.000,00, multiplica-se o depósito de R$ 74,00, mencionado acima, por 3 e assim sucessivamente. Em suma, uma boa educação financeira pode ajudar, e muito, quem deseja ter uma velhice mais tranquila. 

Em tempo: caso você planeje viver 20 anos após se aposentar e acabar vivendo 30, não se preocupe. Tal fato chama-se risco atuarial e deve ser assumido pela entidade de Previdência Privada.


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