• Quarta-Feira, 19 de Dezembro de 2018
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Como quitar uma dívida? Pagar as parcelas finais ou iniciais?

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Como quitar uma dívida? Pagar as parcelas finais ou iniciais?

Como professor de finanças, frequentemente sou indagado, principalmente por alunos, sobre como as pessoas devem proceder, caso decidam quitar antecipadamente parcelas de uma dívida: pagar as parcelas iniciais ou as finais?

Confesso que o raciocínio, apesar de trivial para quem conhece matemática financeira, é um pouco distante da realidade do cidadão comum, que não conhece matemática financeira e seu fundamento elementar que o dinheiro muda de valor no tempo dada uma determinada taxa de juros. Ou seja, R$ 1.000,00 hoje se equivale a esses mesmos R$ 1.000,00 em dezembro acrescido por uma determinada taxa de juros.

A dúvida existe, principalmente, em razão da quase totalidade dos financiamentos ao consumidor no Brasil serem realizados com base no Sistema Price de Amortização, cuja essência é o pagamento de um empréstimo através de parcelas iguais, mensais e consecutivas. 

Todavia, como o dinheiro muda de valor no tempo em razão da taxa de juros, outra característica desse sistema de amortização é que quanto maior o prazo de vencimento de uma parcela, maiores serão os juros descontados dessa parcela, caso a mesma seja quitada antecipadamente.  

A tabela 01 abaixo ilustra um financiamento de R$ 10.000,00 para pagamento em 12 parcelas mensais, iguais e consecutivas de R$ 1.000,00, o que implica em uma taxa de juros embutida nas parcelas de 2,92% ao mês.


Como pode ser observado, o financiamento embute juros totais de R$ 2.000,00, ou seja, se consumidor manter o financiamento até o final pagará R$ 2.000,00 de juros, além dos R$ 10.000,00 emprestados (principal), totalizando R$ 12.000,00.

Porém, o devedor pode optar por quitar integralmente o financiamento ou pagar parte das parcelas devidas. Esse segundo caso é que suscita a dúvida: pagar as parcelas finais ou iniciais?

A resposta em termos matemáticos é bem objetiva: tanto faz.  Ocorre que em um primeiro momento, se a opção for pelo pagamento das parcelas finais do financiamento, há uma sensação ilusória que é possível quitar o financiamento de forma mais rápida, dado que é possível quitar um número maior de parcelas. A primeira parcela exige R$ 971,60 para ser liquidada enquanto a décima segunda exige apenas R$ 707,17, um valor significantemente menor.
Mas o inverso também é verdadeiro. Para quitar a segunda parcela é necessário um valor menor do que para quitar a primeira: R$ 944,01 contra 971,60. Ao passo que para quitar a décima primeira parcela é necessário um valor maior que para quitar a décima segunda: R$ 728,40 contra R$ 707,71.
  
Portanto, se a quitação começar a partir da primeira parcela, será possível quitar cada vez mais parcelas no decorrer do tempo, pois o valor para quitação das parcelas subsequentes diminui, enquanto o inverso ocorre se a opção for por quitar as últimas parcelas. 

Em síntese, a conclusão é que em termos matemáticos as opções de se quitar a última ou primeira parcela do financiamento são indiferentes. O que fazer então? O melhor nesse caso é quitar as primeiras parcelas, pois desta forma o consumidor torna o prazo de pagamento de seus compromissos mais longos e se protege de eventuais problemas de inadimplência, caso surjam despesas inesperadas no futuro que podem comprometer o pagamento das parcelas vincendas do financiamento.

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