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Pra não dizer que não falei da Copa

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Pra não dizer que não falei da Copa

Em janeiro de 2014, o povo foi às ruas protestar pelo aumento de vinte centavos nas passagens, liderados por um movimento anônimo e, portanto, sem rosto, que surgiu nas redes sociais. Começou na cidade de São Paulo e rapidamente tomou conta do país todo, atingindo o ápice quando ocupou todo o Parlamento, em Brasília. Havia em tudo isso uma mensagem muito clara: o povo queria mudanças. Cansado de tanta corrupção, o gigante havia acordado! 

O governo recuou da decisão e o povo retornou a seus computadores e smartphones, esperando o próximo passo de seu líder anônimo. A frustração ficou em saber que não havia um líder, um rosto e, portanto, ninguém a seguir. As vozes se dissiparam e se perderam na ausência de eco. Gritaram por impeachment, mas também gritaram entre eles para frear o vandalismo oportuno, e, na ausência de foco, o gigante voltou a dormir.

Algum tempo depois, o assunto já previsto era sobre as obras dos estádios que fariam a apresentação dos jogos. Verbas exorbitantes que ultrapassaram a soma dos quatro eventos anteriores. Gritaram por saúde, mas o ídolo exclamou que "com hospitais não se faz Copa!". Então, a classe ofendida saiu às ruas protestar e, de jaleco e nariz de palhaço, também pediram para que os cubanos retornassem à ilha, mesmo que nenhum médico aceitasse as míseras condições em atender os cafundós do Judas. Isso era entre a classe e o governo. Os gringos não tinham o direito de aceitar, nem mesmo por intimidação, para que o juramento de Hipócrates não se tornasse hipócrita no desempenho de suas funções. 

Mas, eis que o rei indagou: "Isso não é importante. Vamos falar da Copa!" e, mais uma vez, a falta de foco de um povo sem novos heróis fez com que o gigante acordasse novamente. E o gigante acordou, enfiou a mão no bolso, encontrou alguns trocados, provenientes da economia dos vinte centavos, e foi até a banca mais próxima comprar figurinhas para completar o álbum da Copa desde ano. 

José Maria Marins, presidente da CBF, definiu muito bem o cenário em questão, muito embora sua colocação diz respeito somente à sua ganância: “Estamos no purgatório. Se ganharmos a Copa, vamos para o céu; se perdermos, vamos todos para o inferno”. O Brasil perdeu e hoje vivemos neste inferno da corrupção.

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