• Domingo, 21 de Outubro de 2018
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Educação Financeira

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Educação Financeira

Por gentileza do Nilson, tenho a oportunidade e o prazer de utilizar este espaço para escrever sobre economia. Escrever sobre economia não é tarefa simples. O tema é amplo, tendo em vista que a economia trata da produção, do consumo e da distribuição de bens. Em razão de tal complexidade, não há alternativa que não seja focar em um tema. Depois de muita reflexão, optei pelo tema título deste artigo: educação financeira.

O assunto também é extenso, pois envolve não só questões de planejamento orçamentário, mas também escolhas de aplicação de recursos, para o caso de poupadores; contratação de financiamentos, para aqueles que desejam realizar a compra de algum bem; e a renegociação de dívidas, que é caso de mais de 60 milhões de brasileiros que se encontram, atualmente, inadimplentes e inscritos nos cadastros de proteção ao crédito.

Todavia, antes de entrar nessas questões mais específicas, tentarei responder, no decorrer destas linhas, uma pergunta: Qual a importância da educação financeira em um país como o Brasil? Educação financeira e taxa de juros tem uma relação positiva, quanto maior a taxa de juros (o custo dos crediários), maior a importância de uma boa disciplina financeira, pois o custo de levar uma vida financeira irresponsável aumenta, exponencialmente, em países com taxas de juros elevadas, que é o caso do Brasil. 
Segundo o Banco Central do Brasil (BACEN), as taxas de juros anuais médias praticadas para pessoas físicas no cheque especial e no rotativo do cartão de crédito, modalidades muito utilizadas pelos brasileiros, são respectivamente, de 328,63% e 484,57%.
 
Para se ter uma ideia do estrago que essas taxas podem fazer na vida financeira de muitas pessoas, se um indivíduo não pagar a fatura total de seu cartão de crédito, no início de janeiro, e ficar devendo R$ 1.000,00 no rotativo, esta dívida será de R$ 5.845,70, ao final de dezembro do mesmo ano. Se os mesmos R$ 1.000,00 fossem utilizados no cheque especial, a dívida seria de R$ 4.286,30. 

Esses dados demonstram de forma bem simples o porquê da importância de uma boa educação financeira em nosso país. Pois se ao invés de utilizar o crédito rotativo do cartão ou o cheque especial, a opção fosse tomar um crédito pessoal ou consignado, o saldo devedor acumulado, no final de dezembro, seria, respectivamente, de R$ 1.537,50 e R$ 1.292,60. Ou seja, a simples escolha da modalidade de crédito a ser utilizada pode significar uma econômica vultosa de dinheiro quando as taxas de juros anuais são superiores a um dígito.

O Banco Central do Brasil disponibiliza uma importante ferramenta para o cidadão comum se prevenir de tais armadilhas: a calculadora do cidadão. Essa ferramenta pode ser facilmente localizada através de uma pesquisa no Google com os dizeres “calculadora do cidadão banco central”.  A referida calculadora disponibiliza várias ferramentas onde podem ser feitas simulações para aplicação em depósitos regulares, financiamento com prestações fixas, valor futuro de capital, correção de valores e cartão de crédito.
Nos próximos artigos tratarei individualmente de cada uma dessas ferramentas buscando demonstrar como as mesmas devem ser utilizadas e as vantagens que um pouco de conhecimento sobre matemática financeira acarreta para a vida das pessoas. 


www.bcb.gov.br/calculadora/calculadoracidadao.asp

O sistema financeiro brasileiro drena uma quantidade absurda de recursos de pessoas físicas e de pequenos e médios empresários. Um grande prejuízo para as pessoas e para a economia do país, haja vista que esses recursos, que são drenados “criminosamente” pelos bancos, poderiam aumentar o consumo das pessoas e o investimento das empresas contribuindo para o crescimento da economia e a diminuição do desemprego, outro mal que tem tirado o sono de inúmeras famílias no Brasil.

A educação financeira não é uma bala de prata que poderá resolver todos os males que afligem a vida dos brasileiros, mas pode contribuir para amenizar um pouco o sofrimento de muita gente. 

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