• Domingo, 21 de Outubro de 2018
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Teatro na Cidade

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Teatro na Cidade

Sem a menor intenção de esgotar o assunto ou de tentar citar tudo ou todos, mesmo porque se trata de tema rico em história e pessoas, gostaria, no entanto, de escrever algumas linhas sobre teatro em nossa cidade. Nas informações mais antigas valho-me dos conhecimentos gentilmente colhidos e cedidos pela professora Sônia Belon, memória viva de Porto Feliz. 

Quando me refiro às informações mais antigas, por exemplo, podemos saber que pouco tempo após a Abolição da Escravatura, dois filhos de escravos portofelicenses tornaram-se figuras importantes na cena artística local. Em 1898, os conhecidos Zé-de-Lúcia e Chico-da-Cristina ajudaram a criar e fizeram parte do grupo teatral “Flor do Samburá”, provavelmente o mais antigo grupo de teatro que temos notícias e que alcançou renome na cidade. 

Não muito tempo depois surge o Grêmio Recreativo Progresso, fundado em 1920, composto, entre outros, por: Antônio Antunes, Aristides Paes de Almeida, José Elias Habice, Paulo Habice, João de Oliveira, Humberto Pelegrini, Napoleão Albiero, Abílio de Lara, Alcebíades Leite, Tales Leite, Benedito Rogado, José Fernandes, Sizineo Motta, José Antunes, Luiz de Barros Pinheiros, Ayres de Souza, Francisco Moraes, Luiz Camargo, Rosinha Paes de Almeida, Lourdes Versallato, Alzira Curi e pelo delegado Dr. Arcílio Borges. Tempos memoráveis para a arte cênica da cidade que contava inclusive com o Teatro Municipal de Porto Feliz, fundado em 1848, situado à Rua Candido Motta, na Barra Funda. O Teatro, no entanto, foi demolido em 1929. 

Na década de 1950 forma-se o famoso Grêmio Dramático Leopoldo Fróes, realizando várias montagens e apresentações utilizando como espaço cênico o antigo Cine Central (hoje demolido). Com direção de Luís de Barros Pinheiros, satirizava as administrações municipais em geral e brincava com a linguagem e costumes sociais da época. Entre seus componentes podemos citar: Sebastião Antunes, Luis de Barros Pinheiro, Zé de Pedro, Lourdinha de Campos, Dirceu Pires (Bilo), Vanda de Oliveira, Nei Potel, Clarice de Oliveira e Assumpta Marchesoni Rogado.

Encontramos notícias do Grupo de Teatro do Clube Recreativo que contou com a direção do saudoso ator Olair Coan na peça “Essas Mulheres”, em 1982. Também na década de 1980 surge o Grupo Hotel 5 Estrelas capitaneados por João Luiz de Oliveira (Joy) e José Eud Antunes. Grupo que ao longo dos anos contou com diversas formações, servindo para muitos como uma verdadeira escola de teatro. Pelo grupo, ativo até hoje e com 19 montagens, já passaram dezenas de atores, além dos envolvidos na produção de cenários, maquiagem, figurino, iluminação, sonoplastia, direção, entre outros. Havia também na década de 1980, o grupo Anonimatum Est dirigido por Gilson Belon e com uma interessante ligação com o movimento Consciência Negra. O grupo produziu várias peças e viajou com suas montagens por diversas cidades.

Nos anos da década de 1990 começam os trabalhos do Grupo Tribo, com iniciativa de Nídia Motta e Emílio Fontana. O grupo tinha o desejo de renovar e recomeçar as encenações relativas à Semana das Monções. Essas encenações são parte especial da história cultural da cidade. Ocorrendo há décadas e envolvendo centenas de pessoas entre atores, atrizes e figurantes, além dos envolvidos na produção do espetáculo. Um dos maiores e mais antigos espetáculos teatrais a céu aberto do País. O Grupo Tribo retomando essas encenações chegou a disputar a fase estadual do Mapa Cultural Paulista em 1998, com a peça “Monções: A Luta da Descoberta”. Importante destacar que o grupo deixou um belo legado à cidade. Além de despertar vários talentos para as artes dramáticas, as encenações disseminaram o gosto pelo teatro realizado nas Semanas das Monções para as novas gerações, entre esses o ator Claudemir Causim, que seguiu com a causa. Os integrantes da Tribo também contribuíram decididamente para a criação, revitalização e manutenção do espaço cultural que leva o nome de Estação das Artes Assumpta Marchesoni Rogado em homenagem a essa importante figura do teatro portofelicense. O local conta hoje com uma escola de teatro ligada a Prefeitura Municipal, dirigida pelas professoras de teatro Rosana Moraes e Laioan Perret.

Nos anos 2000 existiu a Moreno Cia Teatral com direção de Alexandre Moreno, a companhia que realizava cursos de teatro também participou do Mapa Cultural Paulista com a peça: “Dom Juan e o Convidado de Pedra”. Eu mesmo tento ser ator no Grupo de Humor Ararapuca, grupo surgido há mais de 10 anos com João Brusco e Mara Faustino. Além dos fundadores, o grupo conta hoje com a direção de Gilson Geraldo e com os atores: Rosana Diniz, Alison Souto, Felipe Vieira, Ivan Marcon e Márcia Paschoal. O grupo tem no currículo a montagem de diversos shows de humor e a peça: “Frei Junípero e o Pé de Porco”, que tem sido apresentada em cidades do interior de São Paulo e também na capital.

Existem ainda outras companhias e outras iniciativas de teatro como os grupos dentro das igrejas e escolas. Como podemos notar, Porto Feliz tem história. Histórias, estórias, casos e causos contados nos palcos da cidade, sejam eles a beira do Rio, nas casas, nos auditórios, espaços culturais, escolas, igrejas ou nas ruas do município. Enfim, o prazer de representar faz tudo acontecer.

Contando com tanta boa vontade por parte dos apaixonados pela arte cênica e com muito voluntariado, bem que Porto Feliz merecia um belo teatro que atendesse as necessidades dos grupos locais e espetáculos vindos de fora. Como também penso ser importante a organização dos artistas da área como, por exemplo, a criação de uma associação dos artistas de teatro. Aliás, essa articulação entre os envolvidos é essencial para o desenvolvimento da cena teatral na cidade. Merda!

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