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Vosso Olhar Dirigiu as Monções

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Vosso Olhar Dirigiu as Monções

Matéria publicada na revista BEMPORTO, em agosto de 2014
Fotos de Nilson Araujo

O dia 15 de agosto é feriado em Porto Feliz, pois nesta data comemora-se a Padroeira da cidade, Nossa Senhora Mãe dos Homens. A devoção à Santíssima Virgem Maria, invocada como Nossa Senhora Mãe dos Homens, surgiu em Portugal, no século XVIII, em meio aos franciscanos, começando com Frei João de Nossa Senhora, do Convento de São Francisco das Chagas (de Assis), em Xabregas, um bairro de Lisboa. Ele ficou conhecido assim, por ser ardoroso amante da Virgem Maria e por enxergá-la como Mãe dos Homens, aquela que ama, cuida e intercede por todos os filhos, sendo a ela direcionadas as causas urgentes.

Em 1758, Frei João de Nossa Senhora faleceu, deixando uma multidão de devotos de Nossa Senhora Mãe dos Homens e um legado que dali se expandiria por vários lugares do mundo. Esta devoção chegou, segundo alguns relatos, ao Brasil trazida pelo Irmão Lourenço de Nossa Senhora, que fundou a Ermida e o Hospício de Nossa Senhora Mãe dos Homens, no ano 1774.

Com o desenvolvimento de seu Santuário e a crescente devoção à Senhora Mãe dos Homens, o Irmão Lourenço fundou também a Irmandade de Nossa Senhora Mãe dos Homens, aprovada por um Breve do Papa Pio VI, no dia 12 de agosto de 1791.

No Brasil, há pouquíssimas igrejas dedicadas a Nossa Senhora Mãe dos Homens, pelo menos, 16 igrejas, dentre as quais, a Igreja de Porto Feliz, Rio de Janeiro (RJ), Urubici (SC), Ouro Branco (MG), Belo Horizonte (MG), Materlândia (MG), Campos dos Goytacazes (RJ), Cuiabá (MT), Estrela do Sul (MG), Coqueiro Seco (AL), Palmas de Monte Alto (BA), João Câmara (RN), Iúna (ES), Santo Afonso (MT), Araranguá (SC) e Água Santa de Minas – Tombos (MG).

Da Penha para Mãe dos Homens

Em 1700, Porto Feliz recebeu sua primeira capela construída por Antonio Cardoso Pimentel e feita em homenagem a Nossa Senhora da Penha, que se tornou a primeira padroeira local. Com o tempo, a Capela tornou-se pequena demais para reunir o grande número de fiéis e em 1744, os portofelicenses deram início a construção da Igreja Matriz, a qual foi inaugurada em 1750 e que escolheu Nossa Senhora Mãe dos Homens como padroeira. Segundo o Livro número 1, do Tombo da Paróquia de Porto Feliz, uma “imagem majestosa e perfeita” foi mandada vir especialmente para ser colocada na Igreja que o moradores de Araritaguaba, estava construindo suntuosamente, pois todos os fiéis colaboravam com as suas humildes esmolas”. 



Lenda

Apesar desse registro, a lenda mais conhecida sobre a padroeira é que a imagem de Nossa Senhora Mãe dos Homens foi mandada vir para servir de padroeira à povoação de Cuiabá e que chegada a Araritaguaba, permaneceu por algum tempo. No entanto, quando a monção veio e os homens tentaram erguer a imagem para levarem ao batelão, ela se tornou tão pesada, que não foi possível levantá-la do solo, por mais esforços empregados.  Sendo assim, os fiéis acreditaram que a Santa queria ficar na cidade e por isso se tornou a padroeira do município.

Para justificar essa lenda, alguns autores acreditam que, na verdade,  a imagem de Nossa Senhora Mãe dos Homens era inicialmente de Nossa Senhora Santa Anna do Sacramento e foi encomendada pelo Juiz de Fora, José Carlos Pereira, quando este estava em Cuiabá (MT), que tinha encomendado no Rio de Janeiro, uma linda imagem da Senhora Santana “com cinco palmos de alto, com a menino ao lado esquerdo e na mão direita uma custódia de prata dourada para expor o Santíssimo Sacramento”. No entanto, após deixar o seu cargo a imagem não tinha chegado ao seu destino.

Ao chegar a Freguesia de Araritaguaba, onde faziam os desembarques na época, reconheceu a imagem, mas não teve coragem para tirá-la da freguesia. Sendo assim, resolveu colocá-la no altar da igreja Matriz, onde ficou até hoje.



Curiosidades

Segundo Sônia Belon, que trabalhou durante muitos anos no Museu, a história da Padroeira é cheia de mistérios. Entre os mais recentes, estão a queda do altar da igreja Matriz em 1957, quando o telhado rompeu e apesar de ter caído em cima da imagem, ela não teve nenhum arranhão.


Queda das paredes da igreja em 1957 (Foto: Arquivo do jornal local Tribuna das Monções)

Outra curiosidade é que os brincos da imagem foram colocados cerca de uns 200 anos depois da sua fabricação e a coroa atual da imagem é uma cópia, pois a original foi roubada na década de 80, informação que foi dada até em rede nacional, na antiga TV tupi. Segundo foi apurado, o ladrão era colecionador de coroas e a da Padroeira era de valor considerável. No mesmo ano, o padre Isaac, responsável pela Matriz, fez um campanha para arrecadar fundos e mandou confeccionar outra coroa para a santa, que é utilizada até hoje.



Réplica para as procissões

Em virtude da importância histórica da imagem original, e principalmente, pela dificuldade em seu deslocamento, seja retirando-a ou ao reconduzi-la novamente ao seu lugar, o Padre Antonio mandou confeccionar uma nova imagem, cópia fiel até nos detalhes, desde a base, “vestimenta”, posição do braço, olhar etc., para ser usada nas procissões pela rua.

Segundo ele, a imagem original tem a sua importância história, e precisa ser preservada de qualquer risco em sua locomoção, bem como a ação do tempo. “Ela é considerada uma obra de arte, pela riqueza de detalhes, delicadeza do rosto de Nossa Senhora e do menino Jesus e precisa ser conservada”.

O inicio da festa de rua foi por volta de 1922, quando o festeiro Antônio Martins Sampaio e a esposa quiseram ampliar a festa, criando à parte festiva externa a igreja, para arrecadar fundos. A princípio foi um almoço ao lado da Igreja Matriz com a comunidade. Depois de alguns anos construíram um barracão e acresceu-se a quermesse ao almoço e passando mais alguns anos com o crescimento da festa passou se a usar a rua do entorno da praça com as barracas e o parque de diversões. Finalmente por volta da década de 90, acrescentou-se o Show com cantores famosos no término do evento, no dia 15 de agosto. Em 2002, com o descontentamento do comércio local, o Pároco da época, Padre Isaac Isaias Vale levou a festa do centro da cidade para o CEMEX- Centro de Exposição de Porto Feliz, já com Shows todos os dias. 

Em 2009, com a chegada do novo Pároco Padre Antonio Carlos Fernandes aumentaram os dias na programação religiosa, com a criação da novena, passando a parte religiosa a ter 10 dias de comemorações. 

Em 2010, com a ideia de abrir um espaço para que a família encontrasse mais conforto na festa e permanecesse nela por um período maior, o grupo de Festeiros resolveu implementar algumas mudanças e criou uma Praça de Alimentação, espaço stand para empresas locais,  feiras de artesanato,  festival de comidas típicas japonesas, italianas e baianas, além dos tradicionais churrasco, pastel, frango assado e lanches diversos.  Em 2012, a festa voltou ao centro, sendo realizada nas proximidades da Igreja Matriz Mãe dos Homens.

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