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Água em Pauta

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Água em Pauta

Matéria publicada na revista BEMPORTO em agosto de 2014

A falta de chuva vem preocupando os municípios paulistas desde  dezembro do ano passado, quando choveu 72% abaixo do normal. Em janeiro e fevereiro de 2014, a média foi 66% e 64% abaixo, respectivamente, e tem sido considerada a estiagem mais intensa desde 1930. Além disso, o último verão foi o mais quente desde 1943, com temperatura média de 31,3°C; 3°C acima do que o verão passado. Sendo assim, os principais reservatórios de água foram afetados e muitas cidades tiveram que acionar o racionamento de água, entre elas, a vizinha Itu e também a grande São Paulo, onde o nível do Sistema Cantareira chegou em 0% e o Alto Tietê em 15%.

Até o momento, Porto Feliz não foi afetada por essa crise, pois além de explorar as águas do Ribeirão Avecuia, responsável pelo abastecimento de 65% da população, também conta com a exploração do Aquífero Tubarão.  “O nível do Avecuia está mais baixo que o normal, porém tem se mantido suficiente. A captação atual das águas do Ribeirão corresponde a uma redução de 20% do seu índice normal”, explica Adílson Steiner, superintendente do SAAE.

Segundo Steiner, ainda não se cogitou nenhum tipo de racionamento de água na cidade. Contudo, o SAAE permanece monitorando o Ribeirão Avecuia, sendo que a captação não foi interrompida em nenhum momento, mesmo em períodos mais críticos, onde houve grande baixa no nível do Ribeirão. 

Segundo o prefeito Levi Rodrigues, também foi feito um grande investimento às margens do Ribeirão  Avecuia, com reflorestamento de algumas áreas com mata ciliar e plantio de árvores nativas, conscientizando os proprietários das margens para que cuidem com responsabilidade e principalmente que não usem produtos químicos. “Também fizemos o desassoreamento para que possam  alcançar as margens do Ribeirão e estamos estudando a  possibilidade  de fazer uma  barragem que seria um grande reservatório que estaria a disposição do SAAE e as comportas seriam abertas conforme as necessidades”, explica. 

Novos investimentos 

Steiner explica que da forma como é feita a captação, somente a água do Ribeirão Avecuia não seria suficiente para suprir as necessidades da cidade atualmente e, por este motivo, o SAAE também faz a captação de águas subterrâneas do Aquífero Tubarão, manancial secundário para o abastecimento da cidade, que não é afetado pela falta de chuvas, pela sua própria característica geológica. 
Porém, até o final deste ano, conforme sugestão do Prefeito Levi Rodrigues (PSD), a situação se estabelecerá de forma diferente, uma vez que serão construídos pelo menos mais cinco poços para a captação de água do Aquífero. “Com os novos poços, a capacidade de reserva de água será aumentada, permitindo ainda mais segurança hídrica para o município”, revela.

Para a implementação desses poços, já está em andamento uma licitação para contratação de uma empresa especializada que fará a perfuração de três unidades ainda este ano. Fora essas unidades, serão feitos ainda mais dois outros (pelo menos), doados por loteadores como uma das diretrizes para realizar seu empreendimento na cidade. “É muito importante que a população saiba que, diferente do que ocorre com a exploração dos poços subterrâneos que temos hoje em funcionamento – feita pela empresa General Water / Águas de Porto Feliz – a exploração e administração dos cinco novos poços correrão por conta do próprio SAAE, que irá operar e controlar a captação e então distribuir a água para a população”, informa.

A política atual do SAAE contempla aumento da capacidade de reserva para cada novo empreendimento imobiliário que se instala na cidade. É de praxe que o SAAE peça como diretrizes para novos loteamentos a melhoria na rede de esgoto (em elevatória, ou rede ou mesmo na estação de tratamento) e na rede de água (seja na tubulação ou no sistema de reserva) como condição para que a estrutura da cidade suporte mais aquela quantia de moradias, sendo o lucro e o ônus do empreendimento do próprio loteador. “Como novidade, hoje o SAAE exige também melhoria na captação de água para o município, nesse caso, com a perfuração desses dois novos poços, que depois de finalizados, serão doados ao SAAE para administração”, informa Steiner.

Os novos poços são projetos para curto e longo prazo, para garantir que a cidade cresça com tranquilidade e sustentabilidade. Para não ocorrer um problema sério como a falta de água e depois haver a necessidade de uma solução emergencial ou até mesmo drástica como o racionamento de água distribuída para a população. “No entanto, mesmo não tendo problemas, o SAAE mantém campanha junto aos munícipes, incentivando a economia de água”.

Segundo Steiner, também existe um estudo sendo realizado para a construção de uma barragem e uma central compacta de tratamento de água no Engenho D´Água, que vai abastecer todos os bairros além-ponte, que correspondem ao Jardim  Vante,  Altos do Jequitibá, Vista  Alegre e área industrial, além de um projeto para uma nova e grande represa sobre o Ribeirão Avecuia.

Aquífero Tubarão

É um aquífero sedimentar de extensão regional e sua maior parte estende-se pelo oeste do Estado de São Paulo e atinge grandes profundidades. Seu uso atual restringe-se à porção superficial, que aflora em uma área de 20.700 km2 nas regiões dos municípios de Casa Branca, Americana, Limeira, Itapetininga, Porto Feliz, Tietê, Itapetininga e Itararé. O Aquífero Tubarão é a principal unidade geológica presente na região, sendo explorado por meio de poços tubulares profundos. Suas águas, assim como as águas do Ribeirão Avecuia, apresentam excelente qualidade para fins de consumo humano.

A exploração do Aquífero Tubarão foi aprovada em 2007, no governo de Claudio Maffei e, na época, causou grande discussão na Câmara Municipal. Hoje, ele é explorado para captação de água através de seis poços, sendo cinco poços no Palmital e um no Jardim São Marcos, totalizando uma vazão de 100 mil m3/mês (aproximadamente 170 m3/h). A profundidade dos poços varia entre 350 e 500 metros, extraindo água do Aquífero Tubarão, e todos produzem água de excelente qualidade, naturalmente fluoretada. As estações de tratamento construídas realizam a filtragem e purificação da água bruta que é disponibilizada nos reservatórios do SAAE, já clorada para distribuição à população de Porto Feliz. 

Impactos da exploração do aquífero

O aquífero é um manancial subterrâneo que acha-se relativamente melhor protegido dos agentes de contaminação que afetam rapidamente a qualidade das águas dos rios, na medida em que ocorre sob uma zona não saturada (aquífero livre), ou está protegido por uma camada relativamente pouco permeável (aquífero confinado). Mesmo assim, está sujeito a impactos ambientais, tais como a contaminação e superexploração.

No primeiro caso, a contaminação ocorre pela ocupação inadequada de uma área que não considera a capacidade do solo em degradar as substâncias tóxicas introduzidas no ambiente. A contaminação pode se dar por fossas sépticas e negras; infiltração de efluentes industriais; fugas da rede de esgoto e galerias de águas pluviais; vazamentos de postos de serviços; por aterros sanitários e lixões; uso indevido de fertilizantes nitrogenados; depósitos de lixo próximos dos poços mal construídos ou abandonados. Entretanto, a mais perigosa, é a contaminação provoca da por produtos químicos, que acarretam danos muitas vezes irreversíveis, causando enormes prejuízos, à medida que impossibilita o uso das águas subterrâneas em grandes áreas.

Já a superexploração é a extração de água subterrânea que ultrapassa os limites de produção das reservas reguladoras ou ativas do aquífero, iniciando um processo de rebaixamento do nível potenciométrico que irá provocar danos ao meio ambiente ou para o próprio recurso. Portanto, a água subterrânea pode ser retirada de forma permanente e em volumes constantes, por muitos anos, desde que esteja condicionada a estudos prévios do volume armazenado no subsolo e das condições climáticas e geológicas de reposição.

Segundo Steiner, os novos poços não sobrecarregarão o Aquífero, pois o projeto cumpre com todas as especificações necessárias, como, por exemplo, distância entre um poço e outro. “Também contratamos a empresa Geoblue Brasil Soluções Ambientais para fazer um estudo de viabilidade para 15 pontos potenciais para poços na cidade, com logística adequada e próximos a reservatórios já existentes”, informa e acalma os moradores: “em setembro começam as chuvas, já iniciando a  normalização do leito do Ribeirão Avecuia até seu deságue no Tietê. Nesses primeiros dias, o volume de chuva já começou a normalizar a situação deixando a captação também no seu ritmo normal”, finaliza Steiner.

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