• Terca-Feira, 21 de Agosto de 2018
  • Porto Feliz - Boa tarde

Uma História de Trabalho e Amor por Porto Feliz

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Uma História de Trabalho e Amor por Porto Feliz

FAÇA VALER A PENA

Paulo Guerini fala da sua história de vida, sobre superação de obstáculos e o trabalho da Guerini Planejamentos na cidade e na região

Ele começou a trabalhar aos 7 anos na lavoura de cana-de-açúcar, na terra arrendada por seu pai, o ex-boia-fria Waldemar Guerini. Apesar das condições de vida que não davam muitas perspectivas de mudanças, com muito trabalho, conseguiu mudar o rumo de sua história quase certa. Conheça a trajetória de vida de Paulo Guerini, um importante e renomado empresário local, cuja crença é baseada na Fé em Deus e nos sólidos ensinamentos de sua criação humilde no campo. 

Você é gente de quem?
Sou porto-felicense, gente dos Guerini da Fazenda Conceição. Meu avô tinha o apelido de Pim Guerini, sou Filho de Waldemar Guerini e Maria Trombini Guerini. Nasci em outubro de 1955 e minha infância foi na divisa do município de Porto Feliz e Elias Fausto. Morávamos na Fazenda Conceição, que era dos franceses proprietários da Usina. Frequentei a escolinha da fazenda, do 1º ao 4º ano, fiz a Primeira Comunhão na igrejinha que havia lá, muito bonita por sinal. Na fazenda tinha cinema, armazém e, embora afastada, era muito movimentada. Raramente vínhamos para a cidade, só mesmo quando alguém da família ficava doente.


Família Guerini. Ao centro, Paulo Guerini e sua mãe Maria Trombini Guerini

Como era a vida na fazenda?
Muito simples. Morava numa casa que não tinha nem banheiro. Minha mãe foi um exemplo de amor e carinho. Tenho lembranças muito boas e queridas dela, numa fase difícil da vida. Nossa casa não tinha luz elétrica, o chão de tijolos tinha que molhar para varrer. Lembro-me bem que, neste período, entre 7 e 9 anos, eu ajudava minha mãe nos afazeres da casa, molhava a horta, cuidava dos porcos. Nossa família morava em casas bem próximas umas das outras, como numa colônia, e todos se reuniam na casa do nosso avô Pim. Recordo de ir e voltar da casa para a escola com meu irmão, percorrendo cerca de 4 quilômetros tanto na ida, quanto na volta, a pé pela estrada de terra. Na volta, sempre trazia o jornal para o meu pai e uma sacola de pão. Éramos em 5 irmãos, foi uma infância humilde, difícil, porém sempre fomos uma família unida e muito feliz. Desde muito pequeno, aos 7 anos, já ajudávamos nosso pai com os trabalhos na roça. Era um período em que as diferenças sociais no país eram bem acentuadas. Praticamente, 98% da população era de origem muito pobre, a força era rural. O que quero dizer é que hoje, na minha opinião, as diferenças sociais, graças a Deus e ao trabalho da população brasileira, são menores. 


Paulo Guerini e seu irmão na lavoura de cana-de-açúcar

Sofreu com esta diferença de classe social?
Por causa de diferenças sociais, não, mas fui vítima de preconceito, sofri muito o chamado bulling. Éramos descendentes de italianos, morávamos no sítio, bem afastado da sede da Fazenda, então, quando as pessoas passavam, diziam: “olha lá os miseráveis, italianos polenteiros.” Isso marcou muito minha vida, me incomodava bastante. Meu pai era muito econômico.  Havia um sorveteiro que vinha de Elias Fausto e não passava pelas terras da nossa família porque sabia que não ia vender sorvete lá (risos).

Como foram os estudos?
Por conta da vida na roça, comecei o primário bastante atrasado, com quase 8 anos de idade. Me recordo que era sempre o melhor aluno de uma turma pequena. Quando terminei o primário, não tinha como continuar, fiquei 2 anos sem ir à escola. Em 1969, indo para 14 anos, o prefeito de Elias Fausto, fundou o ginásio estadual na cidade e, para conseguir ter o número de alunos para funcionar o ginásio, disponibilizou um ônibus velho para buscar as crianças da Fazenda Conceição. Então, consegui dar continuidade aos estudos. Aprendi, com isso, uma palavra que dou muito valor: incentivo. Às vezes, um pequeno incentivo pode mudar a vida das pessoas. Este gesto do prefeito mudou a minha vida e a do meu irmão. Hoje, este meu irmão querido é um grande obstetra em Bauru, graças a este incentivo.

Como se formou Engenheiro Civil?
Fizemos o ginásio em Elias Faustos, trabalhando de dia e viajando 25 km de estrada de terra todos os dias com o ônibus velho. Em 1972, eu e o meu irmão viemos para Porto Feliz, morar na casa da minha tia Zita, costureira, na Rua Olavo Assumpção Fleury, dormimos no sofá durante dois anos. Neste período, meu pai comprou um sítio, onde hoje é o Bepim e nós começamos a construir uma casa, em que ele mora até hoje. Interessante ressaltar que naquela época não havia engenheiro ou arquiteto em Porto Feliz. Então, a casa foi construída sem projeto algum e eu trabalhei na obra durante dois anos como servente de pedreiro. Foi meu primeiro contato com o ramo da construção civil. Neste período comecei a fazer o colegial no Monsenhor Seckler, à noite e, durante o dia, trabalhava de servente e também puxava cana da Fazenda Conceição até a Usina na cidade, ajudando meu pai. Meu pai, que não teve oportunidade de estudar, investiu no meu futuro, e este veio a ser mais um incentivo que mudaria minha vida, fiquei 6 anos sendo custeado por ele, fiz um ano de cursinho em São Paulo, eu e meu irmão, morando numa pensão. Depois, cursei por cinco anos, em Piracicaba, Engenharia Civil. Neste período, morei em Piracicaba, na casa de um casal de idosos que passaram a ser os meus segundos avós, de tão bons que eram, e vinha para Porto Feliz nos finais de semana, visitar a família e rever os amigos. No 3º ano do curso, já comecei a fazer pequenos trabalhos de topografia, que eu gostava muito.  

Como conheceu sua esposa?
Me lembro como se fosse ontem, eu estava próximo à igreja Matriz e vi a Holanda passar. Ela nem olhou para mim, mas algo me dizia que eu me casaria com aquela moça. Eu sempre fui uma pessoa muito vergonhosa, acanhada… para chegar na minha futura namorada, levei quase um ano para falar com ela, sempre flertando de longe e, quando finalmente cheguei, ainda gaguejei, a fala mal saía (risos). Foi minha única namorada e, graças a Deus, constituímos uma família muito bonita e unida, como sempre fomos. Desta união, tivemos 4 lindos filhos: a Mariana, o Paulo, o Pedro e o João. E para coroar de benção nossa vida, agora, estamos curtindo os netos.

Como foi este começo, agora como chefe de família, com a responsabilidade de não depender mais dos pais?
Eu precisava me casar, não tinha um tostão, então, pensava: como constituir família, começar minha própria vida? Estava no 3º ano da faculdade, fazia pequenos serviços, mas não era suficiente. Neste período, aconteceu uma coisa muito importante na minha vida. Um estágio de 30 dias, nas férias, com um senhor chamado Restilde Henrique, que tinha um escritório em frente à prefeitura velha e ele era o projetista mais importante da cidade, na época. Desta convivência, acompanhando os trabalhos que ele fazia, acabei pegando gosto também por projetos e tive uma ideia: como eu precisava começar minha vida, conversei com meu pai, pedi dinheiro emprestado e disse que construiria uma casa num terreno que ele tinha na Rua Cardoso Pimentel. A ideia era construir, vender e o lucro desta venda ele deixava para mim. Assim eu começava minha vida.
Eu mesmo fiz o projeto, um amigo meu de Piracicaba, família de Porto Feliz, dos Piai, próximo ao Chapadão, assinava o projeto para mim. Iniciei esta casa num sábado, após o almoço, eu trabalhando como pedreiro e o meu irmão mais velho, o Mase, como ajudante. Meu pai gostou tanto da casa que não quis vendê-la. Na sequência, consegui comprar um terreno na Av. Monsenhor Seckler, com recurso dos serviços que prestava e empréstimo do meu pai, e comecei minha segunda casa. Antes mesmo de terminá-la, a vendi, comprei o lote do lado e assim comecei. Quando me casei, em janeiro de 1982, já estava fazendo duas casas, e sempre com dinheiro emprestado. Trabalhava com dinheiro de terceiros e, para falar bem a verdade, estou até hoje assim, há 38 anos trabalhando desta forma. E tenho muito orgulho disso, no bom sentido, porque, normalmente, os filhos são pessoas que seguem a carreira do pai; e meu pai, na época, era agricultor, e emprestava dinheiro para muita gente. Eu fiz o contrário. Entenda, não estou julgando ser melhor que ninguém, longe disso, mas tive a iniciativa de ter uma profissão diferente da do meu pai e, em vez de emprestar dinheiro para os outros, coisa que eu nunca tive, passei a emprestar dos outros para trabalhar, o que é um risco muito maior. Assim construí minha vida.

Você também foi vereador de Porto Feliz. Conte-nos sobre este período.
Me mudei para Porto Feliz, definitivamente, em janeiro de 1982, ano em que me casei e, neste mesmo ano, fui eleito vereador com uma votação muito expressiva. Este é um ano que me traz boas recordações. Foi o ano da minha formatura, meu casamento e minha vitória como vereador de Porto Feliz, função que desempenhei durante 10 anos: seis anos no primeiro mandato e quatro no segundo. Trabalhei com o prefeito Tenente Genésio e, depois, Erval Steiner. Neste período, tive um escritório pequeno na Rua Altino Arantes, depois de um tempo, me mudei para a Avenida Monsenhor Seckler, onde montei um escritório ao lado da minha casa. Ainda tive muita ajuda do meu pai e da minha mãe. Ninguém faz milagre sozinho, se você não tiver um incentivo, fica difícil seguir adiante.

Como era Porto Feliz nesta época?
Sempre tive um amor muito grande por Porto Feliz. Cresci ouvindo as pessoas falarem mal da cidade, que essa cidade não presta, que esta cidade não vai pra frente, que a usina não deixava vir empresas pra cá. Eu nunca falei mal de Porto Feliz. Sem querer ser melhor que ninguém, eu já tinha enxergado, neste período, que o Brasil é um país pobre e, para trazer uma grande empresa a uma cidade como Porto Feliz, não era tão simples assim. Discordo das pessoas que diziam que a Usina e a Fábrica de Tecelagem prejudicaram o desenvolvimento de Porto Feliz. Aprendi uma lição na vida: para gerar emprego e oportunidade, só existe uma forma – e é através do investimento. A economia do país estava travada, então dificilmente uma empresa grande viria para Porto Feliz naquela época.

Em toda sua vida, sempre trabalhou por conta própria?
Sempre trabalhei duro, porém, nunca me senti confiante para procurar emprego, o que, praticamente, me obrigou a me virar por conta própria. Tive escritório, tive uma pequena atividade rural, plantava milho, mandioca, feijão, fazia um pouco de tudo, media terra e fui vereador. 


Paulo Guerini em seu escritório na Av. Monsenhor Seckler, nos anos 80

Fez uma boa vereança?
Tive o prazer de legislar ao lado de grandes nomes da cidade, dos quais cito Nelson Moraes, Roberto Prestes, Ivan Leite, Geraldo Tuani, Cássia Angelieri, Xuxo Alcalá, o finado Roque Ambrosini, Jordão Bíscaro, Hélido Tuani, entre outros. Eu tinha 27 anos de idade quando ingressei na política e, nela, assumi uma postura de oposição muito severa contra o Tenente Genésio Leandro Vieira, prefeito na época, hoje um grande amigo. Se eu pudesse voltar no tempo, eu não faria daquela forma, teria ajudado mais o prefeito do que ter criado tantos atritos. É importante a população saber que quando o vereador é eleito, passa a dedicar boa parte da vida para os trabalhos da vereança e acaba se envolvendo demais com os problemas da população, deixando em segundo plano os trabalhos pessoais, a família... E o trabalho do vereador não é só ir às sessões de câmara, mas o dia a dia de receber pessoas, conversar sobre os problemas delas, e isso é uma coisa que desgasta muito.

Pensou em ser prefeito?
Teve uma época que eu gostaria de ser sim.

Por que deixou a política?
Na verdade, num determinado momento, cheguei à conclusão que poderia ajudar mais sendo empresário do que como prefeito. Gostaria de esclarecer que, ser prefeito de uma cidade não é tão simples como a população pensa. O cargo exige muito da pessoa, muita dedicação, muito trabalho, muito empenho. Na maioria das vezes ele deixa de viver a sua própria vida para viver a vida da população. Uma coisa que quero deixar como mensagem aos leitores desta revista é: a gente deve procurar, dentro do possível, ajudar o município; contribuir de alguma forma para melhorar a cidade e ajudar a prefeitura. Não ficar esperando somente da prefeitura. Se a maioria das pessoas pensasse assim, teríamos uma cidade mais limpa e organizada. Então, quando deixei a política, em 1993, passei a me dedicar mais aos projetos pessoais, sem egoísmo algum, mas com uma visão voltada para toda população. Senti que minha vida teve um encaminhamento que eu diria que Deus me abençoava ainda mais. Construí inúmeras casas, fiz projetos de graça para muita gente e, daquele pequeno projeto de construir uma casinha para lucrar com a venda e poder me casar, há 38 anos, com muita dedicação e trabalho, nascia o primeiro loteamento, num terreno na Av. Dr. Antonio Pires de Almeida, chamado Residencial Porto Feliz, que consolidou todo o esforço e persistência naquilo que sempre acreditei.

O Residencial Porto Feliz foi o primeiro loteamento que alavancou a Guerini Planejamentos?
Na verdade, o primeiro loteamento que tive contato, foi o Bepim que era um sítio do meu pai. Eu não era formado ainda, mas acabei fazendo todo o projeto. Meu pai fez uma parceria com uma empresa de Cerquilho para a implantação. Inclusive, o nome Residencial Bepim, eu dei em homenagem ao meu avô que era conhecido por Pim e ao antigo proprietário destas terras que se chamava Bepe Cossari. Sendo assim, ficou Bepim. Depois fiz vários loteamentos: o Belo Alto, Chácara Nestor, o Tendá. Mas o loteamento que mais projetou a Guerini Planejamentos para a questão da urbanização foi o Portal dos Bandeirantes.

Como foi construir um empreendimento tão audacioso para Porto Feliz, num período em que a cidade apenas pensava em crescimento?
Para construir o Portal dos Bandeirantes, novamente eu não tinha dinheiro. Me lembro que eu e o Walter Xavier, Wartão, amigo meu, fomos a São Paulo para comprar aquela área e, chegando lá, conversamos com os donos, com o advogado da empresa, até que em certo ponto disseram para nós que era melhor irmos embora, que não tínhamos dinheiro para comprar aquelas terras. E nos dispensaram na lata (risos). Inclusive, aconteceu um caso muito engraçado depois. Saímos de lá desnorteados, o Walter muito chateado, porque viu a comissão dele indo pro beleléu (risos), fomos a um shopping próximo para comer alguma coisa. Compramos um lanche no McDonald, quando peguei a bandeja na mão, me virei e bati numa senhora e caiu tudo no chão (risos). Foi uma situação muito engraçada. Bom, passados alguns dias, acabei emprestando dinheiro, fui lá, fiz uma oferta pagando à vista e acabei comprando a área. Devagarzinho implantamos o loteamento Portal dos Bandeirantes, que foi uma quebra de paradigma na cidade. Na época, me lembro de que algumas pessoas me perguntavam por que eu queria fazer um loteamento fechado, sem nenhuma pesquisa de mercado, de perfil de público, sem nada e, mesmo assim, acabei fazendo. Hoje é um empreendimento que gera emprego para muita gente, há mais de 20 anos, pedreiro, encanador, eletricista, segurança, jardineiro...

E o senhor acreditou que a cidade tinha o perfil de morador para este empreendimento?
Acredito que se tivesse feito uma pesquisa eu nem teria feito o loteamento e a cidade teria perdido um grande avanço. Me considero uma pessoa muito limitada, limitada em termos culturais, em Q.I. propriamente dito, mas me considero também uma pessoa que tem um lado muito bom na questão de iniciativa, de ser empreendedor, de acreditar. Acreditar em que? No trabalho e na justiça. Falo sempre para os meus filhos, e para os amigos também: siga sempre os ensinamentos de Jesus Cristo. E quais são estes ensinamentos? Humildade, justiça, trabalho, perdão, solidariedade, fraternidade, sinceridade, amor acima de tudo, que é o mais importante. Por que estou dizendo isso? Porque são coisas que se você seguir, você vai conseguir passar por todos os obstáculos na vida e ser uma pessoa realizada.

Nesta fase da vida, o senhor se considera uma pessoa realizada?
Eu me considero uma pessoa realizada no trabalho, na família, porque sempre tenho Deus no coração e sempre acreditei no meu trabalho, nas pessoas e na cidade. E por acreditar na cidade - espero que as pessoas compreendam bem -, sem prepotência, eu me sinto uma pessoa escolhida por Deus, para lutar em favor do desenvolvimento de Porto Feliz, justamente porque eu sempre acreditei nisso e, junto com a população de Porto Feliz, junto com a prefeitura, com a câmara municipal, seja na época do prefeito Claudio Maffei, do prefeito Levi Rodrigues, e agora, com o prefeito Dr. Cássio, sempre tive um apoio muito grande destas instituições e da população. Este apoio sempre foi muito importante para eu encorajar-me e tentar atrair empresas para Porto Feliz.

Qual o segredo do sucesso, não só pessoal, como profissional?
Todo projeto que você faz na sua vida, que visa melhorar a vida das pessoas, é um projeto que por si só, já nasce abençoado por Deus. Eu sempre procurei fazer com que minha vida valesse a pena. Sempre comento ‘faça sua vida valer a pena’. De que forma: não olhando só para o próprio umbigo, mas, principalmente, olhando para a comunidade. Fazer projetos que gerem emprego, progresso, recolhimento de impostos, tudo isso que ajuda não só o município, como também o Estado e o Brasil. Infelizmente, não são todos os brasileiros que pensam assim. Peço até licença para ser um pouco arrogante, mas no Brasil, temos dois grupos de brasileiros: um grupo que fica diariamente questionando o que o município, o Estado e o Governo Federal, enfim, o que o Brasil pode fazer por eles; e o outro grupo que fica também todos os dias se questionando e perguntando o que eu posso fazer pelo meu país. Eu pertenço a este segundo grupo. O Brasil precisa de gente que vista a camisa do Brasil, por exemplo, que não se preocupe em aposentar-se muito cedo, pois o Governo não tem como pagar. Acredito que, primeiro, as pessoas têm que pensar no que farão de bom para a sua comunidade, para seu país e, depois, no momento certo, se aposentar. Não há segredos, o que há é trabalho e força de vontade em não somente querer fazer, mas buscar fazer.

A gente percebe que a Guerini Planejamentos tem uma visão diferenciada da maioria dos empresários locais, em especial dos comerciantes, no sentido de preparar o produto, se preocupar com sua aparência, sua apresentação, bem antes de colocá-lo à venda. Esta visão é que faz da empresa ser o sucesso que é, em relação ao retorno de seus produtos?
Sempre apoiei meus projetos em 3 pilares: 1º - que seja de interesse da comunidade em que está inserido; 2º - que gere progresso e desenvolvimento e, em 3º lugar, nesta ordem, o retorno financeiro. Isso responde a questão; ou seja, não colocar o dinheiro em primeiro lugar.

Esta visão empresarial, com a união das instituições governamentais locais e a população, é que beneficia Porto Feliz em relação às demais cidades da região, quando vemos muitos investimentos de multinacionais se instalando no município?
Sem dúvida. Com esta visão,– veja bem, Porto Feliz concorrendo com outras boas cidades da região, que são cidades que têm um desenvolvimento industrial bem maior que o nosso – nos últimos anos, conseguimos, Guerini, população, prefeitura e câmara, trazer para Porto Feliz a fábrica de motores da Toyota, a Cooper, uma multinacional americana, a TPR, outra multinacional japonesa, uma multinacional alemã, a Sarstedt, que está iniciando a implantação do lado da Capela São Pedro, que vai contribuir para o desenvolvimento tecnológico na área da medicina no Brasil, uma importante empresa, a primeira do ramo no Brasil. Conseguimos trazer, na Rodovia Castello Branco, uma multinacional francesa, a Sodebô; trouxemos também, recentemente, com o apoio do prefeito Dr. Cássio, o Centro de Distribuição de Peças da Toyota para Porto Feliz. Nesta empreitada, eu vi o empenho do prefeito Cássio e da prefeitura e, se não fosse com este empenho, a cidade não teria conseguido. Este mesmo empenho e trabalho sério, eu vi também na época do Maffei, do Levi e, agora, nesta gestão. Por isso digo que o Paulo Guerini, ou melhor, a Guerini Planejamentos não fez nada sozinha. Todas estas importantes multinacionais escolheram Porto Feliz, graças aos esforços de todas as esferas, não somente pela região em que a cidade está inserida e pela sua água. Existe muito trabalho digno por trás de cada conquista.

Quando a Guerini Planejamentos começou a investir de forma mais abrangente no desenvolvimento da cidade, não se limitando apenas em construir condomínios residenciais?
Quando começamos a fazer loteamentos, sentimos a necessidade de trabalhar com desenvolvimento urbano em geral, e isso envolve as indústrias. O primeiro contato que tive para trazer uma indústria para a cidade foi quando fui vereador. Neste período, a cidade doou o terreno onde hoje é o Distrito Industrial, no Km 99 da Castello, e, mesmo assim, foi muito difícil trazer indústrias para a cidade. Naquela época, não havia uma empresa que pudesse fazer a ponte entre as necessidades do investidor e do município. Com a parceria de uma empresa privada, ou seja, da Guerini Planejamentos, humildemente ajudando as cidades, anos depois, este processo se tornou mais viável.

Quais foram estes investimentos para o setor industrial, que a Guerini Planejamentos realizou?
O primeiro loteamento industrial foi em Tatuí, em 1999, o Centro Industrial de Tatuí. Depois, em 2006, nascia o Portal Castello Branco, em Boituva e, em Porto Feliz, o primeiro loteamento nasceu há 5 anos, onde hoje estão instaladas a Toyota, a EATON (antiga Cooper) e a Sarstedt, na Rodovia Marechal Rondon. Além deste loteamento, temos outros 4 empreendimentos industriais em Porto Feliz: um em frente ao Portal dos Bandeirantes 2 e ao Flamboyant, onde hoje está instalada a TPR, um outro platô pronto com acesso no km 20 da Rod. Dr. Antonio Pires de Almeida e outro complexo com 2 platôs prontos em frente as novos acessos da Shinoda e da torre de telefonia, na altura do km 17 da mesma rodovia (SP-097). Por fim, outro importante complexo no km 97 da Rod. Castello Branco, em que viabilizamos e implantamos um acesso, que possibilitou a instalação da TPR e da Sodebô, que ainda será implantada.
É muito difícil para uma prefeitura sozinha conseguir trazer indústrias, o contrário também é praticamente impossível, uma empresa do setor privado também, se não tiver a parceria da prefeitura e da câmara, junto à população, não traz. Por isso que, hoje, a Guerini trabalha nesta área, preparando todo o terreno, implantando infraestrutura, melhorando seu entorno, resolvendo as questões burocráticas e ambientais, para que o investidor encontre uma área pronta para se instalar, sem preocupações que dificultariam a vinda de sua indústria. Assim, conseguimos viabilizar a vinda de cinco multinacionais para Porto Feliz, nos últimos cinco anos.


Portal Marechal Rondon, onde está instalada a Toyota, é 1º Distrito Industrial da Guerini Planejamentos em Porto Feliz

Existe um masterplan, um plano máster, disso tudo ou estas implantações são aleatórias? Qual a visão do Paulo Guerini para a região nos próximos 10 anos?
Sempre procurei fazer projetos que não prejudiquem o entorno. Por exemplo, a Toyota da Marechal Rondon, está num local estratégico para as demais plantas de sua marca, a de Indaiatuba e a da divisa de Sorocaba. Aqui, sentido Castello Branco, enxergo áreas para desenvolvimento industrial, devido à logística e escoamento da produção. 
E com relação a previsão, gostaria de dizer que uma caminhada de 100 quilômetros, começa com o primeiro passo. Porto Feliz não tinha, até pouco tempo atrás, quase nenhuma importância com relação ao seu parque industrial. No entanto, nos últimos anos, melhoramos nosso parque empresarial, somado às empresas locais como a Longa, a Schadek e outras já consolidadas no município. Meu objetivo é transformar Porto feliz num grande centro de desenvolvimento tecnológico, logístico e de empresas. O município é grande, tem uma grande extensão de terras, comparado à Sorocaba, e uma população relativamente pequena. Neste sentido, temos mais recursos, seja na questão de reservas naturais, seja na disponibilidade de áreas com excelente topografia. Tenho um carinho e um amor muito grande para com Porto Feliz, Boituva e região e o diferencial da Guerini é não medir esforços para desenvolver o nosso município.
Dito isso, o projeto de um aeroporto em Porto Feliz ainda é um sonho possível?
Tenho um projeto de desenvolver algo maior, uma nova Porto Feliz com o conceito de sustentabilidade. Ou seja, desenvolver uma cidade com amplas avenidas, com valorização das áreas de APP, melhorando e preservando as nascentes, tratamento de esgoto de ponta, com reuso da água, lançamento de esgoto tratado no rio, o uso de energia solar, eólica... Enfim, a gente não sabe quanto tempo nos resta de vida, mas, no tempo que me resta, vou lutar para gerar emprego, progresso e desenvolvimento com responsabilidade social. Não levamos nada desta vida, mas o que fazemos fica para sempre, como exemplo. E nestes exemplos continuamos vivos.

Há uma pergunta que todos gostariam de saber. O que de fato aconteceu para que o Paulo Guerini levasse a sua empresa para Boituva?
Aprendi uma lição: quando a vida apresentar um obstáculo muito grande, você transforma aquele obstáculo numa coisa boa. O que ocorreu foi, mais ou menos, o que ocorre no kung-fu: quando a pessoa vem para agredir você com toda a força, você usa a força desta pessoa a seu favor. Quando Dr. Leo foi prefeito de Porto Feliz, ele, literalmente fechou as portas para mim na cidade. Quero deixar claro que tenho um respeito enorme por ele, mas, na época, ele entendeu que não deveria me deixar fazer nada na cidade. Isso foi um obstáculo muito grande, motivo pelo qual fomos para Boituva, o ano era 1997. Chegando lá, tivemos um apoio muito grande da cidade, da prefeitura, da câmara municipal, na época era o prefeito Edson Marcusso, que é de Porto Feliz. Fizemos um trabalho muito bonito em Boituva, foram 12 loteamentos em 20 anos. Fizemos escolas, mudamos o local do Fórum, implantamos e duplicamos avenidas, transformamos Boituva, esta cidade que nos acolheu de braços abertos. Por isso eu digo que se não tiver esta parceria entre população, setor privado, prefeitura e câmara, o progresso não acontece. Uma coisa que eu nunca falei na minha vida foi que eu fiz, sempre foi que nós fizemos.

Para finalizarmos, a pergunta que não quer calar: quem trouxe a Toyota para Porto Feliz?
Foi a população da cidade, a Prefeitura do Município de Porto Feliz, a Câmara Municipal e a Guerini Planejamentos. Não vou citar nomes, pois tiveram muitas pessoas que se dedicaram muito para a vinda desta e das outras indústrias. Mas, respondendo mais objetivamente esta pergunta, quem realmente trouxe a multinacional Toyota para cidade foram os japoneses.

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