• Domingo, 21 de Outubro de 2018
  • Porto Feliz - Bom dia

CIDADES CRIATIVAS

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CIDADES CRIATIVAS

A maioria das pessoas conhece ou pelo menos já ouviu falar da São Paulo Fashion Week (SPFW). Muito presente na mídia durante suas edições, o evento pode parecer meio esquisito para quem o vê de longe e não é muito ligado em moda. É interessante, no entanto, enxergar de outro ponto de vista. Por exemplo, o fato de que em sua primeira edição em 1996, o SPFW já tinha um planejamento para os próximos 30 anos. Isso mesmo, 30 anos! O que parece ser apenas um grupo de modelos andando numa passarela movimentou em sua 36º edição, R$ 1,5 bilhão, gerou 11 mil empregos diretos e indiretos entre estilistas, produtores, modelos, patrocinadores, tecelagens, jornalistas, agências, indústrias e técnicos. Ocupando um espaço de 15 mil m2 é hoje a maior semana de moda da América Latina e a 5ª mais importante do mundo. 

Famoso também é o grupo “Doutores da Alegria”. Grupo que realiza visitas em hospitais para crianças, seus familiares e equipe de trabalho. Criado em 1991, de forma experimental, pelo ator Wellington Nogueira. Depois de muito trabalho e pesquisa, o projeto começou a tomar corpo e se tornou um exemplo de empreendedorismo criativo. Um dos desafios foi conseguir demonstrar de forma eficaz para as empresas e apoiadores os resultados conseguidos dentro dos hospitais e, dessa forma, conseguir recursos para a manutenção do projeto. Depois de mais de 20 anos de existência, cerca de um milhão de visitas em hospitais foram feitas. Hoje, o projeto conta com 40 palhaços profissionais, uma escola de formação de palhaços específica para o trabalho desenvolvido e é ganhador de diversos prêmios, entre eles, o Prêmio Criança da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, foi três vezes incluído na lista das 100 melhores práticas globais da divisão Habitat da ONU. O grupo ainda é considerado um dos precursores da iniciativa de humanização na saúde e, hoje em dia, apoia as mais de 100 iniciativas parecidas que foram surgindo pelo País.

Há 14 anos ocorre em Guaramiranga, no interior do Ceará, uma cidade de 6.500 habitantes, o Festival de Jazz e Blues. Feito para não quem gosta de carnaval, o festival ocorre justamente nesse período. Atraindo mais de 16 mil turistas para as apresentações, o evento conta com infraestrutura, patrocínio e reconhecimento de público e crítica. Com desdobramentos em Guaramiranga, onde ajudou a trazer desenvolvimento, nas cidades vizinhas e, inclusive, em Fortaleza (na capital), onde leva música instrumental para a periferia da cidade. Não era bem assim quando começou como explica Rachel Gadelha, uma das criadoras do festival. “Lembro-me que no primeiro Festival tivemos que convencer o proprietário de um sítio a hospedar os músicos. A oferta de alimentação na cidade se resumia a um pequeno restaurante e a uma Kombi que vendia cachorro-quente. Os serviços de infraestrutura urbana também eram insuficientes...”. 

A Festa Literária Internacional de Paraty conhecida como Flip já vem sendo realizada há 11 anos. Quem vê pronta e funcionando, um evento organizado ao mesmo tempo em que é envolvente e orgânico, não imagina que por traz de tudo há trabalho, planejamento e muita pesquisa. Antes da primeira edição, os idealizadores fizeram um trabalho profundo de estudos sobre a cidade, história, população, arquitetura urbana, pontos fracos e fortes e, baseados nesses dados, planejaram um evento que envolvesse a cidade e seus habitantes, que resgatasse a autoestima do povo, além de gerar renda e desenvolvimento econômico e sustentável. Hoje, é considerado um dos principais festivais literários do mundo e atingiu seus objetivos tanto culturais e sociais como econômicos.

A Economia Criativa é relativamente recente, porém tem transformado a maneira tradicional de se enxergar desenvolvimento social e econômico. De maneira bem simples, podemos dizer que seu foco está na cultura, na criatividade, no conhecimento, nas competências e talentos. Está no novo, mas também no tradicional. Está na inovação de como fazer, como encontrar caminhos onde parece não haver, está em gerar renda e ser sustentável e inclusivo ao mesmo tempo. Porto Feliz, em minha opinião, tem potencial para ser uma Cidade Criativa. Uma cidade que descobre como unir tradição e criação, como ser histórica e enxergar o futuro, como criar novos mercados para consumo de bens intangíveis como nosso teatro, por exemplo. Temos um evento que não existe em nenhum outro lugar: a Encenação das Monções. Este evento pode tornar-se um trampolim para o desenvolvimento da cidade, especialmente para a cultura, turismo, comércio e eventos. Mas pode ser muito mais que isso, muito mesmo. Desde que as iniciativas sejam tomadas, os estudos sejam feitos e a população seja incluída. Para refletirmos e sonharmos juntos citei os exemplos acima.

Fonte: Caderno de Economia Criativa: Economia Criativa e Desenvolvimento Local; SEBRAE.


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