• Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
  • Porto Feliz - Boa noite

PRA QUEM VOCÊ TIRA O CHAPÉU?

Videos_01

PRA QUEM VOCÊ TIRA O CHAPÉU?

Patrimônio histórico é um título conferido a um bem móvel, imóvel ou natural que, reconhecidamente, possua valor inestimável a uma sociedade. Definir que o é está em conferir vários fatores como único, natural, estético, artístico, antropológico, religioso, entre outros, que contribuem para a preservação da história de um lugar, sua cultura e sua gente. Atualmente, existe diretrizes para a conservação, manutenção e também para o tombamento do bem, se assim a sociedade na qual está inserido quiser.

Não foi o que pareceu querer a cidade de Porto Feliz se olharmos para o que aconteceu à Praça Coronel Esmédio, com a demolição da estrutura local denominada pelos porto-felicenses de ‘Chapéu da Madre’, por sua arquitetura lembrar o chapéu de 3 bicos das freiras do século passado. No dia 27 de agosto, a prefeitura botou a estrutura no chão. Antes dela, havia uma praça e, antes da praça, outra estrutura. Todas alteradas no decorrer dos anos, em Porto Feliz. Nenhuma preservação.


Demolição do Chapéu da Madre - Praça Coronel Esmédio - 27/08/2017 - Foto: Marcos Paiva/Facebook

Sonia Belon, professora e historiadora de Porto Feliz, conta que o historiador Romeu Castelucci contou à ela que “o Chapéu da Madre foi projetado para abrigar televisores nos dias da Copa do Mundo de 1970, pois naquele tempo raras eram as famílias porto-felicenses que possuíam tal aparelho. Era para ser uma edificação bonita, com jardim em cima da laje, mas o dinheiro acabou (ou a empreiteira não cumpriu o contrato, ele não sabia direito) e a obra ficou só no ‘alicerce’, como ele dizia.”

Num passado não muito distante, a cidade também presenciou a demolição do antigo Hospital do Grilo. Berço de muitos porto-felicenses, o prédio que abrigou o hospital e também um centro espírita kardecista, encerrou suas atividades há quase duas décadas. Desde então, poucos se interessaram em reabri-lo, nem mesmo os médicos que por lá passaram e tiraram o seu proveito, bem como o próprio centro espírita em uma das salas ali presentes, pouca coisa fizeram em favor do bem local. Para se ter uma ideia, nem o leilão do imóvel foi arrematado por um porto-felicense. Por que será?



O imóvel foi arrematado pelo setor imobiliário e é direito do proprietário fazer o que bem entender com ele. 


O fato é que se estes locais eram bens históricos, a ponto de ser definido como um patrimônio nosso, haja vista as inúmeras postagens nas redes sociais de pessoas que lamentaram profundamente suas demolições, ninguém fez nada para sua preservação. A verdade precisa ser dita. Muitos prefeitos passaram e nenhum deles se quer olhou para o bendito Chapéu da Madre, que assim como as atuais freiras, não usam mais.

Quanto ao ‘Hospital do Grilo’, vale lembrar que Dr. Léo, em sua gestão, foi o único prefeito a ter dado uma política digna para o local, com o ‘Saúde da Mulher’ e, posteriormente, outro médico, então secretário de saúde na época, contribuiu para acabar com o fio de esperança do hospital voltar a funcionar. Hoje é o prefeito eleito.

Por este motivo, ao invés do povo chorar o leite derramado, que cuide melhor do que ainda existe, preserve, lute por ele, tire o seu chapéu por sua cidade, pelo que ela representa e por seus bens históricos. E que o choro livre sirva de lição para que outros bens não tenham o mesmo fim.

 

Foto de capa: Pedro Trovão/Facebook

 

Comentários