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QUE SOMÁLIA?

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QUE SOMÁLIA?

Entenda os motivos que fazem o mundo deixar a Somália pra lá

Recentemente, um atentado terrorista na Somália causou a morte de mais de 300 pessoas. Já é considerado o segundo maior atentado terrorista, perdendo apenas para o fatídico “11 de setembro de 2001”, que você sabe se tratar do atentado do Osama Bin Ladem ao World Trade Center, nos Estados Unidos. Mesmo assim, mesmo recente, não nos lembramos mais deste último, o segundo mais letal do mundo, e tão pouco sabemos que dia foi. Diferente de atentados muito menores e com menos vítimas em países europeus ou americanos, o terrorismo na Somália causou apenas uma pequena comoção e o jornalismo internacional logo virou a página. Por que isso acontece?

Em 11 de setembro, o mundo inteiro passou semanas comentando e, por maior que seja o fato, a atenção é ainda maior quando ele é próximo da gente. Quando o episódio é longe de tudo que nos cerca, não só em cultura, mas em costumes (por querermos imitar), a resposta automática é que ataques podem acontecer em qualquer lugar.

A Somália é distante não apenas geograficamente, mas também culturalmente. Um ataque por lá, por mais violento que seja, não coloca em jogo repercussões políticas ou comerciais que afetam um número relevante como em países considerados “comunidades internacionais”. A vida segue tranquilamente, sem a preocupação de voos cancelados ou a queda na bolsa de valores. É apenas um “meu Deus, que horror”, entre uma garfada e outra, na frente da televisão. Nem a fome perdemos. De certa forma, não nos identificamos com o lugar, nunca estivemos lá, não conhecemos ninguém que estivesse ou que, até mesmo, lembremos de algum filme sobre o lugar. Diferentemente, estamos mais conectados a Paris e Nova Iorque. A globalização é seletiva. 

A comoção e tristeza inicial é apenas causada por empatia e, talvez, cause alguma reflexão sobre fragilidade humana, dias sombrios, Deus está voltando, fim dos tempos. E só! Mas, depois, a vida segue, como se nada tivesse acontecido. 
A verdade é que os grandes jornais internacionais não costumam possuir correspondentes em locais de pouca importância no contexto internacional. Assim, o que vem de lá são mais limitados do que o que vem da França, Inglaterra ou Estados Unidos, onde há jornalistas do mundo todo e fácil acesso à internet. A imprensa depende exclusivamente destas agências de notícias, assim, quando não há, não se sabe. Sendo assim, como tudo o que nos cerca vem diretamente dos meios de comunicação que estamos acostumados a nos conectar, se este veículo não divulga o fato, seja por questões de pouco interesse de ibope ou econômico, sim, toda pauta é baseada em quanto comercialmente ela pode dar de retorno, então, o espectador também não se interessa pela falta de informação.

A Somália é um país que não consta nem no ranking mundial do desenvolvimento humano. É um país mergulhado no caos que o mundo esqueceu. Então, um grupo jihadista, acusado do atentado, foi lá e encontrou um motivo para ele. Não bastasse a fome, a sede e a miséria, agora os somalianos precisam enfrentar  - sozinhos – tais atentados terroristas. Porque, nem mesmo a ONU está interessada, tanto quanto não está interessada na Síria.

A única possibilidade de conclusão sobre tal ataque à Somália é que o grupo terrorista Al-Shabad, que que já matou mais de 4 mil negros e pobres na África, agora virou notícia mundial, coisa que, há muitos anos, não atraía grande atenção internacional. Oremos!

Foto: Bartamaha

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