• Domingo, 21 de Outubro de 2018
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COMO UTILIZAR SEU 13º

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COMO UTILIZAR SEU 13º

Embora exista em nosso país um grande contingente de desempregados, uma verdadeira tragédia em termos econômicos e sociais, felizmente ainda resta um número significativo de pessoas empregadas, que farão jus ao aguardado 13° salário.

Como economista e consultor financeiro, costumo receber nesta época do ano uma pergunta bastante corriqueira: o que faço com o meu 13° salário? Apesar da resposta ser um pouco trivial, acredito que seja oportuno abordá-la neste espaço.

Para as pessoas que possuem qualquer tipo de dívida, exceto aquelas de longo prazo, como o financiamento de um automóvel ou de um imóvel, não resta dúvidas de que o melhor a se fazer é utilizar os recursos para quitá-las.

As taxas de juros cobradas por bancos, financeiras e afins têm caído no Brasil desde que o Banco Central (BACEN) começou a derrubar a taxa de juros básicos (taxa Selic). Todavia, tais reduções não implicaram ainda em taxas de juros civilizadas para o consumidor final. 

Segundo dados do BACEN, a taxa de juros média total para empréstimo pessoal para pessoas físicas, exceto crédito consignado, em setembro último, era de 127,31% a.a, enquanto a taxa de juros média total do crédito rotativo do cartão de crédito atingia o “modesto” patamar de 332,38% a.a., no mesmo período.

Já aquelas pessoas que não possuem dívidas caras, como as citadas acima, e ainda detém uma reserva financeira (poupança) para eventuais imprevistos, o ideal é que destinem ao menos parte do 13° para consumo.

A pequena recuperação vivenciada pela economia brasileira, recentemente, se deve, basicamente, à recuperação do consumo das famílias, em razão da queda da inflação, e a uma excelente safra agrícola. Pois o investimento, tanto do governo como das empresas, segue estagnado.

A continuação dessa recuperação, em 2018, depende, dentre outros fatores, das vendas natalinas atingirem as expectativas do comércio varejista, o que evitará que níveis elevados de estoque derrubem as vendas e a produção da indústria nacional no início do próximo ano.

Portanto, um crescimento saudável do consumo, em razão do aumento da massa salarial ocasionado pelo advento do 13°, é condição necessária para que a economia continue a crescer e novos empregos continuem a surgir.

Pois em economia existe o chamado Paradoxo da Poupança: se todos passarem a poupar mais, em razão de níveis mais elevados de pessimismo, todos ficarão mais pobres, haja vista que os recursos poupados, caso não haja investimento produtivo, o que é comum em momentos de incerteza, serão simplesmente sequestrados da economia, ou seja, haverá menos dinheiro em circulação com as implicações recessivas de praxe.

Em síntese, apesar de aparentemente lógica, a atitude daqueles que estão com receio de consumir, em função de um cenário político incerto, impactará negativamente a atividade econômica, o que implicará em aumento a incerteza política.  E crises econômicas são um terreno fértil para o surgimento de candidaturas autoritárias.  Uma dose, ao menos moderada, de otimismo em relação ao nosso futuro não deve ser compreendida com um salvo-conduto para os políticos envolvidos em malfeitos, mas sim como um comportamento que evite que joguemos a criança fora com a água do banho.

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